terça-feira, 20 de setembro de 2011

Drica Moraes diz ser "curinga" em "Alma Gêmea"

18 de septiembre de 2005, 15:59

Drica Moraes se considera uma espécie de "curinga" nas mãos do autor Walcyr Carrasco. A cada nova "rodada" de Alma Gêmea, a personagem da atriz, Olívia, desempenha uma função diferente. A princípio, ela não passava da dona de casa atrapalhada que vivia para o marido Raul, interpretado por Luigi Baricelli. Depois, com o fim do casamento, se viu obrigada a arranjar emprego para sustentar os dois filhos. Agora, dona de um restaurante, se descobre sedutora e apaixonada por Vitório, vivido por Malvino Salvador.
Veja fotos da atriz!

"Sempre que o Walcyr me chama para um novo trabalho, digo sim primeiro e leio a sinopse depois. Confio nele de olhos fechados", assegura.

Com 36 anos de idade e 23 de carreira, Drica não hesita em dizer que as personagens mais marcantes de sua carreira foram criadas por Walcyr. A primeira delas, inclusive, a Violante, de Xica da Silva, está no ar atualmente em reprise pelo SBT. Curiosamente, Walcyr Carrasco hesitou em escalar a atriz, famosa pela veia cômica, para o papel de antagonista. Só mudou de idéia graças ao poder de persuasão do falecido diretor Walter Avancini.

"Adoraria muito fazer outra vilã. Só não faço porque não me convidam mesmo. O problema é que, na TV, se arrisca pouco. Não há espaço para o erro", queixa-se ela, que trabalhou com Walcyr em O Cravo e a Rosa e Chocolate com Pimenta.

De fato, desde que estreou na tevê, em 1989, Drica Moraes não fez outra coisa senão dar vida a tipos engraçados, como a Cida, de Top Model, a Denise, de Quatro por Quatro, e a Márcia, de Chocolate com Pimenta.

Para reforçar o estereótipo cômico, a atriz ainda participou da campanha do Casal Unibanco, criada pela agência W/Brasil, onde interpretou a divertida Renata, mulher do igualmente engraçado Carlos André, vivido pelo ator João Camargo. Juntos, os dois fizeram mais de 30 filmetes ao longo de cinco anos. "Na época, eu era cliente de outro banco. Aí, já viu. Na fila do caixa, o pessoal pegava sempre no meu pé: 'Olha a propaganda enganosa, hein?'", diverte-se.

O que diferencia a Olívia, de Alma Gêmea, das várias outras personagens cômicas que você interpretou na TV?
Desde o começo, já desconfiava que a Olívia seria saborosa de fazer por não ser nem a heroína nem a vilã da história. Se você faz a heroína, fica na obrigação de ter um comportamento politicamente correto. Se faz a vilã, fica na obrigação de tramar o mal ou, quem sabe, os males da história. Já a Olívia é variada. Como dizem por aí, joga nas onze. É uma espécie de curinga. Ao mesmo tempo que é amiga e confiável, é também uma dona de casa atrapalhada, que não dá conta de suas tarefas. Isso sem falar que, desde o início, já estava prevista a virada da personagem. Depois de perder tudo, ela conseguiria se reorganizar e dar a volta por cima. Ou seja, não tenho do que reclamar.

E como o público tem reagido nas ruas?
As pessoas adoram a Olívia. Ela é muito cativante. As situações em que ela se mete são todas muito rocambolescas. Em uma cena, ela queima a bunda no fogão. Na outra, se atraca na rua com um policial. Ou seja, tem sempre um elemento surpresa. Quando saio às ruas, as pessoas perguntam: "E aí, o que vai acontecer hoje? Qual é a próxima estripulia dela?" Isso sem falar na torcida pelo Vitório. Esse rapaz é uma paixão nacional! (risos) Não esperava que fosse dar tão certo.

Você é freqüentemente associada a tipos cômicos. Quando descobriu que tinha vocação para o humor?
Desde criança, sempre fui a cara-de-pau da turma. Gostava de falar bobagem, imitar as pessoas... Quando comecei na televisão, isso ganhou força e, com o tempo, se cristalizou bastante. Graças a Deus, fiz Xica da Silva, com o Walter Avancini, que revolucionou a minha vida. Desde então, passei a transitar mais entre outros estilos. Mas o humor me pegou de tal jeito que você nem imagina... Costumo dizer que não fui eu que corri atrás dele. Ele é que veio atrás de mim.

Mas você já fez graça até em comercial de TV. Como surgiu o convite para participar do anúncio do Casal Unibanco?
Pois é! Essa foi a maior sorte que já dei na vida. Na ocasião, eu lembro que fazia teste atrás de teste para comerciais, mas nunca passava. E vivia numa dureza daquelas. Para se ter uma idéia, ainda morava na casa da minha mãe. Eu reclamava: "Mãe, ninguém acredita em mim, não passo credibilidade. Não consigo vender nem caixa de fósforo". Quando participava dos testes, suava em bicas. Tinha vergonha de fazer, parecia que estava falando mal do produto. Até que passei nesse. Nem acreditei... (risos)

O diretor Walter Avancini foi o único a acreditar que você seria capaz de interpretar um tipo mais dramático. Qual foi a sua reação ao ser convidada para o papel de Violante em Xica da Silva?
Também não acreditei. Mas fiquei muito grata a ele. Muito grata por alguém ter olhado para mim de uma maneira diferente. Nessas ocasiões, o ator fica muito agradecido quando é percebido fora do padrão comum no qual é inserido. Sou eternamente grata ao Avancini pelo prazer que ele me proporcionou. Foi uma experiência tão boa que gostaria de repetir numa próxima oportunidade.

Quase dez anos depois, o que você achou da idéia do SBT de reprisar a novela?
Puxa vida, essa reprise é pré-histórica! Quando revejo a novela, sinto um misto de emoções. Ainda hoje, Xica da Silva é um trabalho muito interessante e corajoso. Corajoso por ter mostrado um Brasil sem luz, que vivia na obscuridade. As pessoas não tinham acesso a nada e condição do negro era realmente terrível. Eles não eram tidos como gente, eram comparados a animais... Por outro lado, quase dez anos depois, Xica da Silva não deixa de ser uma produção meio "trash". As cenas de nu e de guerra, por exemplo, são de uma precariedade só. Hoje em dia, chega a ser risível. Mesmo assim, volto a dizer, a coragem do projeto é indiscutível. Como é incrível também a audiência que a novela vem obtendo. Acho incrível, sensacional.

Curiosamente, o único papel mais dramático que você interpretou na TV foi na Manchete. Você acredita que, um dia, vai viver um tipo parecido também na Globo?
Acho que sim... Não sei... Tudo é possível, não é mesmo? É só uma questão de oportunidade. Da minha parte, morro de vontade de fazer outra vilã. Só faltam convites. Depois da Violante, ainda fiz a Marcela, de O Cravo e a Rosa, mas essa não conta. A Marcela não chegava a ser terrível. Pelo contrário. Era até engraçada às vezes. Mas, respondendo à sua pergunta, não acho que as portas estejam fechadas. Embora eu saiba que televisão viva de repetição e seja um lugar onde se arrisca pouco. Mas, ainda se arrisca...

Além da Violante, de Xica da Silva, do que mais você se orgulha de ter feito na TV?
Olha, gosto muito de tudo que já fiz com o Walcyr e o Jorge Fernando. O Walcyr, por exemplo, é do tipo de autor que desenvolve todas as tramas de uma novela. Com ele, você não precisa ficar preocupado. Além disso, embora ele trabalhe sempre com os mesmos tipos, é capaz de reorganizá-los sempre de uma maneira nova, criativa e inusitada. Com ele, por exemplo, já fiz duas personagens, que posso chamar de "brega & chique", porque não querem sair do salto alto e têm forte preocupação com aparência - enfim, duas peruas. E as duas têm universos próprios e diferenciados. Confio plenamente no Walcyr. Quando ele me chama para determinado trabalho, nem leio a sinopse. Sei que ele vai desenvolver o trabalho de uma maneira legal.

As suas quatro últimas novelas foram de época. Você tem alguma predileção pelo gênero?
Não tenho qualquer predileção por esse ou aquele gênero. Desconfio que as produções de época é que tenham uma certa predileção por mim. Por algum motivo, me chamam sempre. Devo ter cara de época... Só sei que estou ficando especialista em novela das seis de época. O grande barato é o prazer em resgatar o vocabulário. Adoro pronunciar palavras, como chiste, por exemplo, que não usaria normalmente. Além disso, as melhores comidas do Projac são sempre as das novelas de época do Walcyr. Principalmente as caipiras. Quando faço uma novela dele, sempre engordo uns quilinhos.

Nos palcos da vida
Foi o ator Miguel Falabella quem despertou o interesse de Drica Moraes pela arte de representar. Na ocasião, Adriana Moraes Rêgo Reis tinha apenas 10 anos de idade e cursava a 7ª série do Colégio Andrews, na Zona Sul do Rio. O ainda desconhecido Miguel Falabella trabalhava como professor de teatro para alunos do 2º grau da escola, como Marisa Monte, Tereza Seiblitz e Felipe Martins, entre outros.

"Mesmo não podendo fazer o curso, o Falabella deixava eu participar de um exercício ou outro. Foi ali que passei a me interessar de verdade por alguma coisa na vida", enfatiza.

Pouco depois, Drica resolveu se matricular no Tablado, de Maria Clara Machado, um dos mais tradicionais do Rio. Aos 13 anos, encenou seu primeiro espetáculo, o infantil Os 12 Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato. No elenco, futuros "astros" e "estrelas" da TV, como Malu Mader, Maurício Mattar e Alexandre Frota.

"Já naquela época, chegava a abrir mão de festas e férias só para fazer teatro", garante. Já crescidinha, ajudou a fundar a Cia. dos Atores, dirigida por Enrique Diaz. Nela, estreou como diretora de arte do espetáculo A Bao A Qu, baseada no Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luiz Borges.

Como atriz, Drica Moraes participou de Só Eles o Sabem, Melodrama e O Rei da Vela, todas pela Cia. dos Atores.

Versátil, a atriz já assinou também a cenografia do espetáculo A Morta, de 1992, quando mereceu uma indicação ao Prêmio Shell, e soltou a voz no musical Pianíssimo, de 1993, quando recebeu o Prêmio Mambembe de Melhor Atriz.

"Sinto o maior orgulho de sobreviver da minha profissão. Principalmente porque sei que os tempos são duros. Conheço um monte de gente talentosa que, infelizmente, trabalha pouco e ganha mal. Estar permanentemente trabalhando é um privilégio", valoriza.

Cheia de graça
A estréia de Drica Moraes na TV não poderia ter sido mais discreta. A primeira vez que apareceu na TV foi na Globo em 1986, no episódio O Seqüestro de Lauro Corona do Teletema, escrito por Ricardo Linhares e dirigido por Carlos Magalhães. Nele, interpretava uma deficiente mental que se identifica com o personagem triste e deprimido vivido por Lauro Corona numa novela. Como a produção em que o ator trabalha está prestes a acabar, o irmão da moça resolve seqüestrá-lo para que ela não sofra. Apesar de pequeno, o papel de Drica chamou a atenção do diretor Roberto Talma, responsável pelo seriado, que convidou a atriz para fazer Top Model, três anos depois.

Na trama de Walter Negrão e Antônio Calmon, Drica deu vida a Cida, uma empregada doméstica que, segundo a própria atriz, "só fazia se interessar por vigaristas e trapaceiros". "O papel era pequeno, mas eu colocava 'caco' em toda cena que fazia", entrega.

Embora a personagem realmente não passasse de elenco de apoio, Drica tornou-se uma das revelações da novela. Tanto que, a partir de então, passou a ser chamada para participar de inúmeros humorísticos e sitcoms, como A Comédia da Vida Privada, Garotas do Programa e Os Aspones. "Não tenho preferência por humor. Por mim, mesclaria o cômico e o dramático", avisa.

Trajetória televisiva
# Top Model (Globo, 1989) - Cida.
# Lua Cheia de Amor (Globo, 1990) - Isabela.
# Quatro por Quatro (Globo, 1994) - Denise.
# Xica da Silva (Manchete, 1996) - Violante.
# Era Uma Vez (Globo, 1998) - Madalena.
# O Cravo e a Rosa (Globo, 2000) - Marcela.
# Desejos de Mulher (Globo, 2002) - Gilda.
# Chocolate com Pimenta (Globo, 2004) - Márcia.
# Alma Gêmea (Globo, 2005) - Olívia.


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